PUBLICADO EM 17/Mar/19


As práticas da Quaresma e a Campanha da Fraternidade

Homilia - abertura da CF 2019 (9/3/2019)

 

 

O grande apelo da quaresma é a conversão. Falar de conversão significa esperar uma vida nova para nós, e, consequentemente, um mundo melhor para todos. Porém essa conversão só é possível quando você se coloca diante de Deus com atitude de quem se reconhece pecador. Jesus veio chamar os pecadores. Neste tempo favorável, somos convidados a pessoal, mas também comunitariamente empreendermos com seriedade um caminho.  


Quando a gente se decide fazer uma viagem, é necessário escolher um itinerário, uma estrada que garanta chegar de forma segura ao destino programado. A quaresma não é o nosso destino, no sentido de que o cristão não é chamado a ficar nela, mas a avançar rumo à Páscoa, que é a nossa meta, à vitória da vida do Ressuscitado, do Cristo Senhor.


No entanto, a quaresma é um meio necessário para chegar até lá. Esse caminho quaresmal é feito daquelas práticas que o Papa nos lembrou em sua mensagem, enviada para a Campanha da Fraternidade de 2019: "as práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte".


É neste contexto quaresmal que acontece a Campanha da Fraternidade (CF). Embora ela não represente todo o espírito da quaresma, o tema da CF, fraternidade e políticas públicas, pode inspirar, iluminar e integrar as práticas da quaresma, como nos sugeria o Papa na mensagem deste ano.


A Igreja no Brasil, há mais de 50 anos, nos tem ajudado, através da CF, a identificar os desafios concretos para o exercício da caridade no contexto social em que vivemos a nossa fé.


O Papa nos lembrou também, em sua mensagem, que desde Pio XII os Sumos Pontífices têm falado da política como uma forma privilegiada de caridade. Política aqui entendida no seu sentido mais puro como o cuidado do todo. E como cristãos somos convidados neste ano a participar na elaboração e concretização de ações que visem melhorar a vida de todas as pessoas.


E nós aqui podemos nos perguntar: somos cristãos que se interessam pelo bem comum? O que temos procurado fazer pelos mais necessitados de nossa ajuda? Que interesse temos pelas obras sociais de nossa Diocese? Que apoio procuramos dar a elas? Somos capazes de superar o belo discurso e arregaçar as mangas e colocar a mão na massa?


A CF nos ajuda no sentido "de buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça." Ser "protagonistas das iniciativas e ações que promovam «o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (Gaudium et spes, 74).


Como cristãos nos interessa seguir o exemplo do Mestre que veio servir e não ser servido. Um discípulo de Jesus terá a consciência clara de que a sua missão neste mundo é a do serviço: estamos nesse mundo para isso. O Papa Bento disse certa vez que "o amor de Deus se revela na responsabilidade pelo outro" (Spe Salvi, 28).


Recordamos aquilo que disse o Apóstolo Tiago: a fé que sem obras é morta (Tg 2, 20). A fé nos convida "a ter os olhos e o coração abertos para que possam ver nos irmãos mais necessitados a “carne de Cristo” que espera «ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Bula Misericordiae vultus, 15). Em palavras de Bento XVI, "somos tomados pela compaixão de Cristo pelas multidões que pedem justiça e solidariedade e, como o bom samaritano da parábola, nos esforçamos por dar respostas concretas e generosas" (13 de maio de 2010).


Nosso empenho concreto de participação e na resolução dos problemas sociais e em todo o processo de formulação de políticas públicas especialmente voltadas para os mais vulneráveis é uma proposta que este ano a Igreja no Brasil nos oferece para vivermos juntos o nosso compromisso com o bem comum e o testemunho de que somos discípulos de Jesus porque a Seu exemplo também amamos no serviço concreto aos nossos irmãos.


Dessa forma também podemos colaborar para "uma nova geração de líderes servidores" (Bento XVI), que, em palavras do Papa Francisco, "vivam «com paixão o seu serviço aos povos, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que não se deixando intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos, sendo competentes e pacientes face a problemas complexos, sendo abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, conjugando a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação»


Que assim seja.

 

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