PUBLICADO 28/Mai/2018


Uma nota sobre o negro no Brasil de ontem e de hoje

 

Lamentavelmente, podemos ver em nosso dia a dia (nas ruas, nos noticiários das TVs, jornais, rádios, etc.) que a abolição da escravatura, decretada em 13 de maio de 1888, nunca foi completada verdadeiramente.


Após os negros serem libertados daquele sistema de exploração direta, continuaram a viver sob condições adversas e desumanas. Eles foram “lançados às ruas”, desamparados pelo governo e sendo privados de seus direitos humanos fundamentais (saúde, educação, emprego e moradia adequados, etc.). Com baixa expectativa de um bom futuro, começaram a construir e habitar precariamente em aglomerados de barracos em cima dos morros, que distantes do centro urbano da cidade, logo ficaram conhecidos como “favelas”, nas “periferias”.


Vale lembrar que, de fato, ao longo dos anos muitos cidadãos negros foram reivindicando firmemente e alcançando seus direitos civis, porém acreditamos que muito ainda falta para ser alcançado... Uma notável quantidade também conquistou (aos poucos e com grande esforço) seu espaço na sociedade capitalista, adquirindo assim, uma posição socioeconômica mais elevada acompanhada de um determinado status social... Entretanto, nos dias atuais, podemos ainda ver o terrível reflexo daquela “meia justiça” assombrando nosso país: a maioria da população negra vivendo sob o jugo da escravidão social (desemprego, pobreza, fome, “analfabetismo”, saúde precária, moradias inadequadas, presídios superlotados, etc.).


Às vezes temos a impressão de que o povo brasileiro tem negado suas raízes, e bem sabemos o que acontece com uma árvore que nega suas próprias raízes... Mas hoje, como cidadãos conscientes de todas as injustiças pelas quais já passaram nossos antepassados africanos, devemos veementemente reverter toda essa situação de desigualdade através do resgate e da preservação do valor do cidadão negro em nossa sociedade e de nossas raízes africanas, pois foram eles, os africanos, que contribuíram grandemente para a formação geral do povo brasileiro com toda sua cultura (religiosidade, vestuário, culinária, vocabulário, etc.).


Não sejamos ingratos para com todos aqueles que tanto e tanto sofreram, foram maltratados, mutilados e humilhados nestas terras, sendo tratados como meros objetos de lucro... Contudo, os termos “negro” e “África” devem estar em nossos lábios como sinônimos de força e resistência, não de vergonha ou inferioridade, afinal, somos todos filhos da grande Mãe África! Até mesmo o mais branco europeu possui uma gota do “sangue africano” correndo por suas veias.


Não podemos mais tapar nossos olhos diante dessa realidade covarde... Grite insatisfatóriamente contra esse abismo cruel que separa a população negra da branca em nosso país... Grite contra essa segregação racial camuflada!


Respeitemos quaisquer que sejam as diferenças de nosso próximo, pois são essas diferenças que tornam todos nós seres humanos individuais, únicos e especiais; são essas diferenças que tornam todos os dias a nossa pátria mais rica, mais bela... E lembremo-nos: o valor de qualquer ser humano não consiste na cor de sua pele.

 

“Existo porque existimos, existimos porque existo.”
Provérbio africano

 

 

 

Thiago Campelo Miranda

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