Publicado Setembro de 2017


A PALAVRA DE DEUS E NOSSO MUNDO VIOLENTO

Anualmente, no mês de Setembro, a Igreja Católica no Brasil celebra, de maneira viva e profunda, o dom da Palavra de Deus escrita, a Bíblia, propondo-nos a leitura e o estudo de um de seus livros. Neste ano de 2017 o texto escolhido é a 1ª Carta de São Paulo aos Tessalonicenses. Trata-se do primeiro escrito do Novo Testamento e data pelos anos de 50 da era cristã. Foi enviada pelo apóstolo e seus colaboradores aos cristãos da cidade grega de Tessalônica, a fim de incentivá-los no crescimento da vida cristã.


Chamam minha atenção os seguintes versículos: “Conservai a paz entre vós... Vede que ninguém pague a outro o mal por mal. Antes, procurai sempre praticar o bem entre vós e para com todos” (5, 13b -16). Já naquela época vivenciar tudo isto não era fácil. Os cristãos, de fato, eram incompreendidos por seus familiares, expulsos das sinagogas dos Hebreus, e já começavam a ser mal vistos e perseguidos pelos Romanos, que os consideravam opositores do Império Romano, que mantinha a paz pela força sanguinária.


A exortação dos missionários possui uma atualidade premente diante da situação social do Brasil e, particularmente, do Estado do Rio de Janeiro e de nossa sofrida e amada Baixada. O medo assola cada vez mais nosso povo. Confrontos constantes, de dia e de noite, com tiroteio entre as diversas facções, milícia e polícia; presença com forte aparado militar das Forças Armadas nas ruas, protegendo, mas também, assustando; barricadas em todos os lugares; ordens dadas pelos grupos armados de fechar escolas, igrejas, comércio etc..; programas televisivos, verdadeiras escolas de violência e de prática sexual irresponsável, até fazendo apologia do crime; insegurança total, sem exceção.


Acrescente-se a isto a realidade vergonhosa de tantas falcatruas, propinas, corrupção na vida política Nacional e Regional, provocando uma situação de profunda injustiça social, com consequentes sofrimentos nas famílias, muitas das quais entram em desespero por falta do emprego e das necessidades básicas para a sobrevivência. Por outro lado, são gastos valores absurdos na transação de atletas do esporte, enquanto não se tem o indispensável para um sadio lazer dos adolescentes e jovens das classes mais humildes.


Como, então, viver hoje a recomendação maravilhosa de 1ª Carta aos Tessalonicenses, c. 5, vv. 13 b- 16? Como buscar a paz na justiça e na solidariedade? De que maneira sermos sinais de esperança e de Ressurreição nesta situação, pois o cristão que vive de Cristo e em Cristo não pode renunciar a levantar esta bandeira do bem e da defesa da vida de todos. Como sermos construtores de paz num mundo tão violento, injusto e inseguro? Que fazer para vencer o mal pelo bem? Eis algumas sugestões concretas e possíveis:


1.a - Valorizar todo gesto de amor e de compromisso com a vida das pessoas. Pode ser simples, porém, lembremos que o mar é feito de pequenas gotas.


2.a - Participar das Pastorais Sociais em nossas comunidades, pois elas nos permitem chegar até à raiz dos problemas e nos ajudam a buscar e construir outro tipo de sociedade, fundada não sobre a ganância, a exploração, o poder e a mentira, mas sobre a justiça, a fraternidade, o serviço e a verdade.


3.a - Unir as forças com todas as Entidades sérias e honestas que buscam uma sociedade nova, alicerçada sobre os valores do Evangelho e da Ética. Graças a Deus, nós católicos, não somos os únicos a querer uma realidade diferente. Tiremos toda e qualquer vaidade e orgulho pessoal, na busca de reforçar as fileiras de quem deseja ver o povo, sobretudo, os mais carentes e sofridos, numa situação de segurança e bem estar.


4.a - Rezar bastante, com os pés no chão, o coração voltado para os irmãos e o olhar para o céu. Deus Libertador quer vida digna e pacífica para todos seus filhos. Ele é a nossa Paz! Ele nós dá a verdadeira Paz!


“O pequeno Zeca entra em casa visivelmente contrariado. O pai o chama e antes que diga algo, o filho fala irritado: 'Pai, estou com muita raiva. O Juca na escola me humilhou na frente dos meus amigos. Não devia ter feito isto. Desejo tudo de ruim para ele'. O pai escuta calado e, em seguida, vai buscar um saco de carvão e propõe ao filho: 'Zeca, está vendo aquela camisa branca lá no varal? Imagina que é seu amiguinho Juca e que cada pedaço de carvão é um mau desejo seu endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa. Depois voltarei para ver como ficou'. O menino, achando que fosse uma obra divertida, pôs mãos à obra. Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai se aproximou: 'Filho, como está se sentindo agora?'. 'Estou cansado, mas feliz pois acertei muitos pedaços de carvão na camisa!'. 'Então, venha comigo até meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa'. O Zeca segue o pai até o quarto onde havia um grande espelho. Coloca-se em frente e olha assustado. Só se podiam enxergar seus dentes e os olhos. Então o pai lhe disse: 'Filho, você viu que a camisa no varal quase não se sujou? Em compensação, olhe para você! A vingança e o ódio para com alguém fazem mais mal a quem os guarda no coração'.”


Pois é! A Palavra de Deus tem razão quando afirma que a violência não se supera com a violência, pois o mal só se vence pelo bem! A violência não se vence com uma violência maior, mas com a justiça, o amor, a entrega da própria vida, a honestidade, a bondade e o perdão. São estas as “armas” que devemos usar para que o mundo seja melhor.


Vamos todos trilhar o caminho do amor,
da justiça e do perdão?


Abraço fraterno com as bênçãos de Deus!

 

Dom Luciano Bergamin, CRL

Bispo Diocesano

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